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Transporte internacional de pets: o que você precisa saber


Levar um pet para fora do país é bem diferente de um voo doméstico. Não é só uma questão de comprar a passagem e arrumar a caixinha de transporte: existe toda uma burocracia por trás, que muda de país para país, e que costuma pegar muita gente de surpresa.

Se você está planejando uma mudança, um intercâmbio ou simplesmente uma viagem mais longa com seu animal, vale entender os principais pontos antes de sair fazendo reservas.

Cada país tem suas próprias regras

Esse é o primeiro choque de realidade para quem nunca passou por isso. Não existe um procedimento único e universal. Alguns países exigem apenas um atestado de saúde e comprovante de vacinação, enquanto outros têm exigências bem mais rígidas, como período de quarentena, exames de titulação de anticorpos contra raiva ou até proibição total de certas raças.

Reino Unido, Austrália e Japão, por exemplo, são conhecidos por processos mais longos e detalhados. Já países da União Europeia costumam ter regras mais alinhadas entre si, o que facilita um pouco a vida de quem está se mudando dentro do bloco.

A recomendação aqui é simples: pesquise diretamente no site oficial do governo do país de destino, ou consulte a embaixada. Informação de terceiros, por mais bem-intencionada que seja, pode estar desatualizada.

O CVCO e o tempo que ele leva

No Brasil, o documento essencial para viagens internacionais é o CVCO (Certificado Veterinário Internacional). Ele precisa ser emitido por um médico veterinário e, depois, homologado pelo Ministério da Agricultura, geralmente através do sistema e-Agro ou de um posto do Vigiagro no aeroporto de embarque.

Esse processo tem prazos específicos: normalmente, o atestado precisa ser emitido dentro de um período próximo à viagem (com frequência, até 10 dias antes) e a homologação também segue um cronograma. Ou seja, isso não é algo que se resolve na véspera. Muita gente perde o voo, ou pior, tem que deixar o pet para trás, justamente por deixar essa etapa para a última hora.

Vacinas e exames com antecedência real

Dependendo do destino, pode ser exigido o exame de titulação de anticorpos antirrábicos, que precisa ser feito em laboratório credenciado e, em alguns casos, tem que ser realizado com meses de antecedência da viagem. Isso mesmo, meses, não semanas.

Países livres de raiva, como Reino Unido, Irlanda, Austrália, Nova Zelândia e Japão, costumam ser os mais exigentes nesse quesito. Se o seu destino for um desses, o ideal é começar o processo assim que a viagem for confirmada, e não quando a data estiver se aproximando.

Microchip: verifique o padrão

Outro detalhe que passa despercebido: o microchip do seu pet precisa seguir o padrão ISO 11784/11785, que é o reconhecido internacionalmente. Se o chip implantado não for compatível, alguns países simplesmente recusam a entrada do animal, ou exigem a implantação de um segundo chip compatível antes da viagem.

Vale conferir isso com o veterinário com bastante antecedência, porque trocar ou complementar o chip também demanda tempo de adaptação e nova documentação.

Quarentena: pode ou não acontecer

Alguns destinos ainda exigem período de quarentena na chegada, mesmo com toda a documentação em dia. A boa notícia é que, com o cumprimento correto dos protocolos sanitários antes da viagem (como os exames de titulação mencionados acima), muitos países reduzem drasticamente ou até dispensam essa exigência.

Austrália e alguns territórios asiáticos ainda são rigorosos nesse ponto, então vale checar caso a caso.

A companhia aérea também impõe suas regras

Além das exigências do país de destino, cada companhia aérea tem políticas próprias sobre transporte internacional de animais. Isso inclui peso máximo, tipos de caixa aceitos, raças restritas e até a temperatura mínima e máxima permitida para embarque no compartimento de carga (voos com escalas em locais muito quentes ou muito frios podem ser recusados por questão de segurança do animal).

Algumas companhias possuem serviços especializados de transporte de pets, com equipe própria cuidando da parte de embarque e desembarque. Pode valer a pena pesquisar essa opção, principalmente em trajetos mais longos ou com conexões.

Um cronograma que ajuda a não se perder

Para não ficar perdido no meio de tantas exigências, um caminho possível é organizar o processo assim:

  • De 3 a 6 meses antes: pesquisar as exigências específicas do país de destino e agendar exames que exigem prazo longo, como titulação de anticorpos.
  • De 1 a 2 meses antes: confirmar vacinas em dia, verificar o microchip e reservar o transporte junto à companhia aérea.
  • Nas últimas 2 semanas: emitir o atestado veterinário e dar entrada na homologação do CVCO.
  • Nos últimos dias: revisar toda a documentação impressa, preparar a caixa de transporte e confirmar horários de check-in específico para animais.

Vale a pena buscar ajuda especializada

Para quem nunca passou por esse processo, contratar uma empresa especializada em transporte internacional de pets, ou pelo menos conversar com um despachante familiarizado com esse tipo de viagem, pode economizar muita dor de cabeça. Eles conhecem as particularidades de cada rota e ajudam a evitar erros que atrasam ou até impedem o embarque.

No fim das contas, transporte internacional de pet exige organização, mas nada que não seja possível com planejamento antecipado. Quanto mais cedo você começar, menor a chance de imprevistos de última hora, e maior a tranquilidade tanto sua quanto do seu companheiro na hora do embarque.

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