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O que é o microchip animal e como ele funciona?


Se você tem um cachorro ou um gato, provavelmente já ouviu alguém recomendar o microchip. Talvez o veterinário tenha comentado numa consulta de rotina, ou um amigo tenha contado a história de um pet que sumiu e foi encontrado graças a esse dispositivo. Mas afinal, o que é essa tecnologia, e ela realmente funciona como um GPS, rastreando o bichinho o tempo todo? A resposta pode surpreender quem nunca parou para entender o assunto direito.

Um chip do tamanho de um grão de arroz

O microchip animal é um pequeno dispositivo eletrônico, praticamente do tamanho de um grão de arroz, que é implantado sob a pele do animal — geralmente entre as omoplatas, na região das costas. Ele não tem bateria, não emite sinal e não tem GPS embutido. Isso já derruba o principal mito sobre o assunto: o chip não localiza o animal em tempo real.

O que ele carrega, na verdade, é um número de identificação único, gravado permanentemente. Esse número fica associado a um cadastro num banco de dados, onde constam as informações do tutor: nome, telefone, endereço e, em muitos casos, dados de contato de emergência. É esse número, e não o chip em si, que faz toda a mágica acontecer quando o animal é encontrado.

Como ele é implantado

A aplicação é rápida e, segundo relatos da maioria dos tutores, causa um desconforto parecido com o de uma vacina comum. Um veterinário usa uma agulha um pouco mais grossa que a de uma seringa tradicional para inserir o chip sob a pele. Não é necessário anestesia, não há cortes e o procedimento leva poucos segundos. Depois disso, o corpo do animal forma uma camada de tecido ao redor do chip, o que o mantém fixo no lugar pelo resto da vida.

Vale lembrar que esse processo deve ser feito por um profissional habilitado. Embora pareça simples, a aplicação errada pode causar migração do chip para outras partes do corpo ou, em casos raros, infecções no local.

A tecnologia por trás: RFID

O princípio de funcionamento do microchip é o mesmo usado em cartões de transporte público, crachás de acesso a empresas e até em algumas embalagens de produtos: a radiofrequência, ou RFID (Radio Frequency Identification, na sigla em inglês).

Dentro do chip existe uma pequena antena de cobre e um capacitor. Sozinho, ele não tem energia própria — é aí que entra o leitor. Quando um aparelho leitor de RFID é aproximado do animal, ele emite uma onda de rádio de baixa frequência. Essa onda "acorda" o chip por indução eletromagnética, fornecendo energia suficiente para que ele transmita de volta o seu código único. O leitor capta esse sinal, decodifica o número e exibe na tela.

É basicamente isso: um sistema passivo, sem pilha, sem manutenção e, na teoria, com duração praticamente ilimitada, já que não existem peças que se desgastam com o uso.

Por que ele não substitui a coleira com plaquinha

Muita gente pensa que, uma vez implantado o chip, não precisa mais de coleira de identificação. Só que isso é um equívoco perigoso. O microchip só é útil se alguém tiver um leitor à mão — e esses leitores normalmente estão disponíveis em clínicas veterinárias, ONGs de proteção animal, canis municipais e alguns pontos de recolhimento. Um vizinho que encontra o animal na rua, por exemplo, dificilmente terá um leitor em casa.

Por isso, os especialistas recomendam usar as duas coisas juntas: o chip como identificação permanente e à prova de perda, e a coleira com plaquinha (nome do pet, telefone do tutor) como primeira linha de contato, para quem encontra o animal na hora.

O cadastro é a parte que realmente importa

Aqui está um detalhe que muita gente esquece: de nada adianta implantar o chip se o cadastro não for feito ou não for atualizado. Há casos de animais recuperados anos depois de terem sumido, mas que não puderam ser devolvidos aos donos porque o telefone cadastrado estava desatualizado ou porque o tutor nunca completou o registro depois da implantação.

Então, se você decidir microchipar seu pet, o passo seguinte é garantir que os dados estejam corretos no banco de dados do fabricante ou da instituição responsável — e lembrar de atualizar sempre que mudar de telefone ou endereço. Sem isso, o chip vira só um pedacinho de metal sob a pele, sem nenhuma utilidade prática.

É seguro para o animal?

Sim, de forma geral, é considerado um procedimento seguro. As reações adversas são raras e, quando acontecem, costumam se limitar a uma pequena inflamação temporária no local da aplicação. Estudos e décadas de uso em cães, gatos e até em animais silvestres (usados por pesquisadores para monitoramento de espécies) mostram que a tecnologia é bem tolerada pelo organismo.

Isso não significa que não existam riscos teóricos, como qualquer procedimento que envolva perfurar a pele. Mas comparado aos benefícios — principalmente a chance real de reencontrar um pet perdido — a relação custo-benefício costuma pesar fortemente a favor da microchipagem.

Em alguns lugares, já é obrigatório

Em diversos países da Europa, por exemplo, o microchip é exigido por lei para cães e, em alguns casos, também para gatos, principalmente quando o animal precisa viajar entre fronteiras. No Brasil, algumas cidades já criaram legislações municipais tornando o chip obrigatório, sobretudo para animais que participam de programas de adoção responsável ou que circulam em espaços públicos com regras específicas. A tendência é que essa exigência se torne cada vez mais comum, à medida que cresce a preocupação com o abandono e a dificuldade de reunir tutores e pets perdidos.

Vale a pena?

No fim das contas, o microchip é uma ferramenta simples, barata e de baixa manutenção que aumenta bastante as chances de um animal perdido voltar para casa. Não é infalível — depende de leitores disponíveis e de um cadastro atualizado — mas, combinado com outras formas de identificação, forma uma rede de segurança bem mais robusta do que depender só da sorte ou da boa vontade de quem encontra o bicho na rua.

Se você ainda não microchipou seu pet, talvez valha a pena conversar com o veterinário na próxima consulta. É rápido, é seguro e pode fazer toda a diferença no dia em que ninguém espera que a coleira caia ou que o portão fique aberto por descuido.

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