Como acostumar o animal à caixa de transporte
Para muitos cães e gatos, a caixa de transporte não é exatamente um lugar agradável. Quando ela aparece apenas no dia de uma consulta veterinária ou de uma viagem, é comum que o animal tente fugir, fique agitado ou até se recuse a entrar.
O problema é que, em uma viagem, especialmente de avião, não há como simplesmente deixar a caixa de lado. O animal precisará permanecer nela durante parte do deslocamento e, quanto mais familiarizado estiver com esse ambiente, melhor será a experiência.
A boa notícia é que cães e gatos podem aprender a enxergar a caixa de transporte de outra maneira. O segredo é não esperar até a véspera da viagem.
Comece com antecedência
O primeiro passo é apresentar a caixa ao animal antes que ela seja necessária.
Se possível, deixe a caixa aberta dentro de casa durante vários dias ou até semanas. Em vez de guardá-la em um armário e tirá-la somente quando for sair, permita que o animal tenha contato com ela no dia a dia.
No início, não é necessário colocar o animal dentro.
Deixe que ele se aproxime, cheire e observe o objeto no próprio ritmo. Alguns cães e gatos vão demonstrar curiosidade imediatamente. Outros podem simplesmente ignorá-lo durante alguns dias.
Isso é normal.
A ideia é fazer com que a caixa deixe de ser um objeto estranho associado a situações desagradáveis.
Transforme a caixa em um lugar agradável
Depois que o animal estiver mais à vontade perto da caixa, é possível começar a criar associações positivas.
Uma das maneiras mais simples é colocar dentro dela um brinquedo que o animal goste ou alguma recompensa. Também pode ser utilizada uma manta ou outro objeto com cheiro familiar, desde que seja seguro e adequado para permanecer dentro da caixa.
Não é necessário forçar o animal a entrar.
Se ele colocar apenas as patas dianteiras para pegar uma recompensa e sair novamente, já é um começo. Com o tempo, pode começar a entrar completamente por iniciativa própria.
O objetivo é que a entrada na caixa aconteça de maneira voluntária.
Não empurre o animal para dentro
Esse cuidado é especialmente importante.
Quando o tutor coloca o animal à força dentro da caixa e fecha a porta imediatamente, pode acabar criando justamente a associação que queria evitar: caixa de transporte significa medo e perda de controle.
Se o animal resistir, o melhor é voltar uma etapa.
Pode parecer que o treinamento está demorando demais, mas alguns minutos de aproximação tranquila são mais úteis do que uma tentativa forçada.
Cada animal tem seu próprio ritmo. Alguns se acostumam rapidamente; outros precisam de mais tempo.
Faça pequenas sessões
Não é necessário passar horas treinando.
Alguns minutos por vez já podem ser suficientes, principalmente no começo. O importante é repetir a experiência de maneira positiva.
Primeiro, o animal pode simplesmente permanecer próximo da caixa.
Depois, entrar e sair.
Em seguida, pode permanecer dentro dela durante alguns segundos com a porta aberta.
Quando estiver confortável, o tutor pode começar a fechar a porta por períodos muito curtos e abrir novamente antes que o animal fique angustiado.
A duração pode ser aumentada gradualmente.
Esse processo ajuda o animal a entender que ficar dentro da caixa não significa necessariamente que algo ruim vai acontecer.
Depois, aumente o tempo com a porta fechada
Quando o animal estiver tranquilo dentro da caixa, é hora de aumentar progressivamente o período com a porta fechada.
Não é preciso passar imediatamente de alguns segundos para meia hora.
Comece com períodos curtos e aumente aos poucos, sempre observando o comportamento do animal.
Se ele começar a demonstrar sinais claros de estresse, o ideal é reduzir o tempo e avançar mais lentamente.
O treinamento deve evoluir de acordo com a adaptação do animal, e não com a pressa do tutor.
Acostume o animal ao deslocamento
Para uma viagem de carro, outro passo importante é fazer pequenos trajetos com o animal dentro da caixa.
Primeiro, podem ser deslocamentos muito curtos. Depois, a duração pode aumentar gradualmente.
Isso ajuda o animal a se acostumar não apenas com a caixa, mas também com os movimentos do veículo, os ruídos e a mudança de ambiente.
Mesmo para quem vai viajar de avião, essa etapa pode ser útil, já que o deslocamento até o aeroporto normalmente envolve algum trajeto de carro.
A caixa precisa ter o tamanho adequado
Escolher corretamente a caixa de transporte também faz diferença.
Ela deve permitir que o animal fique em uma posição confortável, consiga se movimentar dentro dos limites necessários e tenha ventilação adequada.
Uma caixa apertada demais pode causar desconforto. Por outro lado, uma caixa excessivamente grande também pode não ser a melhor opção, principalmente quando existem regras específicas para transporte aéreo.
Antes de comprar a caixa, é importante verificar as exigências da companhia aérea e, no caso de viagens internacionais, as regras aplicáveis ao destino.
Não adianta o animal estar acostumado com uma caixa que depois não poderá ser utilizada no embarque.
Gatos podem precisar de uma adaptação diferente
Gatos costumam reagir de maneira bastante particular à caixa de transporte.
Alguns entram tranquilamente, enquanto outros desaparecem assim que percebem que ela foi colocada no ambiente.
Por isso, para os gatos, deixar a caixa disponível dentro de casa durante um período maior pode ser especialmente útil.
Ela pode permanecer aberta em um local tranquilo, permitindo que o gato entre e saia espontaneamente.
Forçar o gato a entrar somente quando chega o momento de sair de casa pode tornar cada nova tentativa mais difícil.
Não espere a semana da viagem
Esse talvez seja o principal conselho para quem está planejando uma viagem internacional.
Se o animal nunca entrou em uma caixa de transporte, não é uma boa ideia começar o treinamento poucos dias antes do embarque.
Além da adaptação à caixa, o tutor ainda terá vacinação, microchipagem, exames e documentação para organizar.
Quando tudo é deixado para a última hora, qualquer dificuldade de adaptação pode aumentar ainda mais o estresse do animal e da própria família.
Começar cedo permite que o treinamento seja feito sem pressa.
E se o animal continuar muito estressado?
Alguns animais apresentam uma reação muito intensa ao confinamento ou ao deslocamento. Nesses casos, insistir sem orientação pode não ser a melhor estratégia.
Uma avaliação veterinária pode ajudar a identificar a melhor maneira de preparar o animal para a viagem. Dependendo da situação, o profissional poderá orientar medidas específicas para reduzir o estresse.
Medicamentos ou produtos para tranquilizar o animal não devem ser utilizados por conta própria. Em uma viagem, principalmente de avião, qualquer intervenção desse tipo precisa ser avaliada pelo médico-veterinário.
Preparar o pet faz parte da viagem
A caixa de transporte não deve ser vista apenas como uma exigência da companhia aérea. Ela será o espaço em que o animal passará parte importante do deslocamento.
Por isso, quanto mais familiarizado ele estiver com a caixa, melhor.
O ideal é começar com antecedência, respeitar o ritmo do animal e transformar a caixa em um ambiente conhecido e seguro. Pequenas sessões, recompensas e experiências positivas costumam funcionar melhor do que insistência ou força.
Para quem está planejando uma viagem internacional, esse cuidado deve fazer parte do planejamento desde os primeiros preparativos.
Vai viajar com seu cão ou gato?
A adaptação à caixa é apenas uma das etapas de uma viagem internacional com um animal. Vacinação, microchipagem, exames e documentação também precisam ser organizados de acordo com as exigências do país de destino.
Começar o planejamento com antecedência permite cuidar de cada uma dessas etapas com mais tranquilidade e reduzir as chances de imprevistos perto do embarque.